EventosSite da empresa
Todas as edições
Outubro de 2024

Engenhosidade humana supera falha geológica na recuperação do túnel da Usina Fundão

No items found.

No sudoeste do Paraná, entre Foz do Jordão (PR) e Pinhão (PR), a Usina Hidrelétrica de Fundão destaca-se como um marco da engenharia brasileira. Localizada na bacia do rio Paraná, sub-bacia do rio Iguaçu, no curso do rio Jordão, a usina aproveita uma queda natural em uma curva em "U" do rio para gerar energia. Recentemente, a usina enfrentou um dos maiores desafios de sua história: a recuperação de um túnel vital que colapsou devido a uma falha geológica antiga.

O colapso anunciado

Em 2004, durante as escavações iniciais, uma falha geológica já havia sido identificada no túnel de adução, com 3,8 km de extensão e seção arco retângulo de 9,4 metros. Esse túnel conecta o reservatório à câmara de carga da usina, sendo essencial para o fluxo de água que movimenta a turbina Francis de 61 MW localizada na casa de força. No final de 2020, uma discrepância nos níveis de água acendeu o alerta. "Notamos que algo não estava certo. A diferença nos níveis indicava problemas", relata Emerson Luís Alberti, representante da Elejor – Centrais Elétricas do Rio Jordão S.A., responsável pelo Complexo Energético Fundão Santa Clara, que segue padrões rígidos ambientais e sociais.

A suspeita se confirmou após o uso de um Remotely Operated Vehicle (ROV), um robô subaquático controlado remotamente. A tecnologia foi essencial para mapear o interior do túnel e identificar os pontos de obstrução causados pelo desmoronamento, que bloqueava parcialmente o fluxo de água ao longo de 50 metros. "O ROV nos mostrou que a falha geológica havia provocado um colapso significativo, exatamente na porção já conhecida", explica Alberti.

Planejamento diante do imprevisível

Diante da gravidade, a Elejor iniciou um planejamento meticuloso em agosto de 2020. "Partimos sempre pensando no pior cenário, de forma conservadora, como se a desgraça estivesse ali mergulhada", comenta Alberti, ressaltando a cautela necessária.

A recuperação do túnel exigiu o uso de tecnologias avançadas. A Pedra Branca Escavações, empresa responsável pela obra, utilizou máquinas controladas remotamente para garantir a segurança dos trabalhadores em áreas de risco, como uma escavadeira CAT 330 de 30 toneladas e uma pá carregadeira CAT 950. "Tivemos que usar explosivos dentro de um túnel colapsado, algo que nunca é ideal, mas os cálculos de engenharia nos deram a confiança para avançar", ressalta Alberti. O uso dos explosivos fragmentou os blocos maiores de material, facilitando a remoção dos detritos.

Parcerias que fazem a diferença

A decisão de empregar tecnologia de ponta e métodos não convencionais foi fundamental para o sucesso da obra. "A Pedra Branca foi decisiva naquela composição", afirma Alberti, destacando a importância da colaboração. O apoio do Tribunal de Contas e dos acionistas da Elejor também foi crucial. "Ter órgãos reguladores e investidores que entendem a gravidade e confiam nas decisões técnicas faz toda a diferença", pontua.

Durante a obra, aproximadamente 3.600 metros cúbicos de rocha foram removidos. Após a eliminação dos detritos, realizou-se o reforço estrutural do túnel. O arco e o teto foram reconstruídos, recebendo concreto adicional para prevenir novos desmoronamentos. Com isso, a pressão da água no túnel foi otimizada, elevando a coluna d'água de 9 para 9,5 metros e aumentando a eficiência na geração de energia.

A robustez estrutural da usina

O complexo da Usina Fundão possui uma barragem de gravidade composta por 25 blocos de concreto compactado a rolo (CCR), incluindo um vertedouro em soleira livre e uma Pequena Central Hidrelétrica (PCH) de 2,5 MW de potência. Uma galeria de drenagem com 47 metros de comprimento percorre a base da estrutura, garantindo a drenagem adequada entre as margens direita e esquerda do rio. "A robustez da barragem, aliada às melhorias recentes, assegura que a usina continue operando com segurança e alta eficiência por muitos anos", destaca Alberti.

Reflexões sobre o futuro energético

A Usina Fundão, em conjunto com a Usina Santa Clara, desempenha papel essencial na regulação de tensão no sistema elétrico do sudoeste do Paraná. Mais do que uma vitória técnica, a conclusão dessa obra representa um marco na infraestrutura energética regional.

A recuperação do túnel também traz uma reflexão: até que ponto estamos preparados para lidar com os desafios impostos pela natureza e pelo tempo? O episódio reforça a necessidade de investimentos contínuos em manutenção, tecnologia e, sobretudo, em parcerias que unem conhecimento e determinação.

A engenharia como protagonista

Emerson Alberti faz questão de enaltecer o papel da engenharia nacional. "Projetos como esse mostram que temos capacidade técnica para resolver problemas complexos. A sociedade e o mercado podem confiar na nossa engenharia", afirma.

Sobre a Elejor

A Elejor – Centrais Elétricas do Rio Jordão S.A. foi criada em 2001 pela Companhia Paranaense de Energia S.A. (Copel) e pela Paineira Participações e Empreendimentos Ltda. A empresa opera o Complexo Energético Fundão Santa Clara com rígidos compromissos ambientais, promovendo grandes benefícios ecológicos, integrando diversos municípios e gerando renda.

Com uma produção de cerca de 1.229 GWh/ano, a Elejor fornece energia elétrica para aproximadamente 600 mil habitantes. Além disso, a empresa desenvolve ações globais para a redução dos gases de efeito estufa, sendo responsável pela diminuição de aproximadamente 330.000 toneladas de CO₂ por ano, o que equivale à preservação de 17,5 milhões de árvores anualmente.

O incentivo à arte também compõe o perfil da Elejor, que oferece oportunidades para profissionais e artistas mostrarem seus trabalhos e aprimorarem suas habilidades. São ações que fazem a diferença e consolidam a empresa como um exemplo de sucesso em empreendimentos de larga escala e de capital intensivo.

Galeria

No items found.
Pessoas desta matéria
No items found.

Outubro de 2024